/* */ Cor Sem Fim: Eu perguntei, Linda Martini respondeu

Eu perguntei, Linda Martini respondeu

Eu perguntei, Linda Martini respondeu
3 palavras que os definam? Os Linda Martini. 

A pergunta "Como surgiu o nome da banda?" já está demasiado batida para estes senhores (e senhora). Por acaso, não achei muitas vezes a resposta a esta pergunta, mas encontrei várias vezes a explicação por trás do nome do disco [Sirumba]. Eles dizem que esta é uma pergunta que passa [sobre o nome do disco] porque, quando surge um novo álbum, a pergunta transita para o nome do seguinte.

Trabalham na música já há algum tempo, mas tiraram outros cursos antes de se dedicarem inteiramente a isso (talvez seja o backup plan?). O André tirou Gestão de Recursos Humanos, área que abandonou em 2015, e o Pedro  tirou Engenharia Informática, onde trabalhou depois de acabar o curso... mas desde 2009 que está só com a música. O Hélio tirou Engenharia Electrotécnica... mas odiou todas as disciplinas do curso... Excepto Análise Matemática II. A Cláudia é a única que continua a trabalhar na área: tirou o curso de Escultura seguido de um mestrado em Ilustração Científica.

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SOBRE A INFÂNCIA


Quando se fala de brinquedos de infância, a conversa prolonga-se: piões, berlindes, caricas, orbitas. Mas além disso, cada um tinha o seu brinquedo especial.

O André tinha um E.T (como o do filme E.T.) que acendia a luz do dedo. É uma das primeiras memórias que tem. Era um brinquedo caro e ele pediu-o aos pais que lhe disseram que não. E foi então que os avós, os segundos pais, o ofereceram. Infelizmente, hoje em dia já não sabe o que é feito dele.

O Hélio não tinha muitos brinquedos porque, diz ele, "o pai era um bocado parvo nessas coisas". Teve um triciclo na sua primeira casa, onde viveu até aos três anos e da qual tem poucas memórias. Uma das mais fortes é mesmo essa: andar de triciclo pela rampa no quintal.

A Cláudia não se conseguiu ficar só por um e seleccionou três: um Topo Gigio que tinha orelhas de esponja; uma Pantera Cor-de-Rosa grande; e um panda pequenino com que dormiu até aos 15 anos (aquilo não era bem um boneco, era mais um animal de estimação).

Para finalizar, não podíamos esquecer o Pedro, o grande despoletador da conversa sobre piões.

O Pedro gostava muito de jogar ao pião, tal como o Hélio. Os piões que havia em Lisboa tinham um bico fininho e, como a família dele é de Chaves, no Verão ia lá. Diz ele que tinham uns piões com "um bico que era uma cena mais quitada", como uma cena das flechas que tem uma ponta diferente.

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TODAS AS HISTÓRIAS VALEM A PENA?


Perguntei se todas as histórias valem a pena ser contadas. "É um bocado metafísica", responderam eles, "é uma pergunta com pano para mangas". Numa primeira resposta, o Hélio diz que nem todas as histórias valem a pena ser contadas enquanto a Cláudia disse que todas valem a pena ser contadas... o que não quer dizer que todas valham a pena ser ouvidas. Vale sempre a pena contar porque pode haver alguém a quem toca, alguém que se identifique. "Para ti, do teu ponto de vista, pode não te interessar, mas para a pessoa ao meu lado pode interessar."

As suas vivências acabam por influenciar aquilo que escrevem. mas seleccionam as ideias (obviamente), não se conta tudo. Às vezes uma história pode não prestar para nada e a maneira como é contada é interessante ou vice-versa. Muitas das vezes, no início não se tem a ideia certa do que se está a escrever. Muitas das vezes, só no final é que se consolida a ideia. Há muitas ideias que são seleccionadas e deixadas para trás, o que não quer dizer que não voltem a elas. Tudo é viável, mas há uma selecção. Reforcei bem a palavra selecção? Por exemplo, com os riffs: na altura pode não valer a pena, mas pode ser aproveitado mais tarde para outro álbum. Há ideias que precisam de uma maturação melhor. Às vezes as soluções não estão logo à mão e precisam de distância.

Eu perguntei, Linda Martini respondeu


O que é que lhes falta fazer? BRASIL.


Mais discos, mais música. Ir ao Coliseu do Porto. Continuar a fazer discos, continuar a reinventar. Passar música para filmes, narrativas que não sigam tanto o formato de canção e que possam ser histórias contadas de outra forma.


Sítios loucos? A Cláudia teve resposta imediata: China. Eu estava mesmo à procura de saber é se queriam tocar num avião, num comboio ou algo do género, mas eles preferem sítios sólidos, chão estável. Afirmam que tocam melhor quanto melhores condições tiverem a nível técnico e num eléctrico ou num submarino não têm esse tipo de condições. O grande auditório do CAEP, por exemplo, "tem boas condições e é um teatro óptimo". O Hélio já tocou em vários barcos e, após pensar um pouco, a Cláudia disse que gostava de tocar no cacilheiro do Cais do Sodré para Cacilhas, mas que isto tinha sido uma ideia que tinha tido para a Asneira, uma outra banda a que pertence. E como ideia puxa ideia, lembrou-se que seria engraçado tocar a Este Mar no cacilheiro com os Linda Martini... no rio.


Para a malta que quer começar uma banda, o Hélio tem um conselho que são dois: ouçam todos os conselhos que vos derem e ignorem todos aqueles que não fizerem sentido. O André diz que convém as guitarras estarem todas afinadas. A primeira vez que ensaiaram aquilo não soou muito bem e foi por isso. A Cláudia diz que o conselho é comecem e parem de pensar nisso.

As músicas não se aplicam a videoclip. Os videoclips é que se fazem para música. Normalmente é para o single e depois em função do single é que se escolhe a música que passa para a rádio e para as pessoas. Há músicas para as quais se fazem vídeos só para não ficar única e exclusivamente esquecida num disco, como "O Dia Em Que A Música Morreu" em que fizeram uma curta-metragem para dar imagem a essa música. Falámos do "Across The Universe" e o Hélio odeia o filme por causa das vozes deles a cantar Beatles.

CD ENCRAVADO E MÚSICA PREFERIDA


"É impossível a pessoa não se fartar!", dizem eles. Ainda assim, conseguiram responder. A Cláudia escolheu Carlos Paredes: nunca se vai importar de ouvir. O Hélio afirma ser uma pergunta que gera ambivalência, pois ouvir algo de que gostamos tanta vez acaba por cansar. Decidiu que qualquer um de Beatles o satisfaria. Já André e o Pedro optaram por deixar a escolha em aberto: poderia ser qualquer disco. Vivem bem sem música no carro e têm sempre a opção de ouvir rádio.

Quanto à música preferida, Hélio diz costuma ser transversal nos concertos a que dá vontade de tocar - Belarmino. É das músicas "mais felizes". A Cláudia e o André dificilmente responderam, mas a Cláudia  confirma que a Belarmino reúne um consenso. O Pedro falou da "Dá-me a tua melhor faca", que é mais antiga, que continua a gostar muito e a achar das mais fixes.

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Quanto a lemas e frases, não têm propriamente um. Mas fiquem com uma frase: "25 de Abril sempre, batatas fritas nunca mais".

Relativamente a tatuagens: todos têm a Sirumba e têm A casa ocupada. Ainda tive direito  a explicação sobre o jogo! Na minha opinião, foi um concerto que me surpreendeu. A música deles tem um sentimento completamente diferente ao vivo do que num computador ou num telemóvel. Pessoalmente, prefiro-os ao vivo.

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