/* */ Cor Sem Fim: ACMA || Estado: LICENCIADA

3.10.17

ACMA || Estado: LICENCIADA

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Tem sido difícil escrever, mas finalmente achei algo.

O nosso percurso académico é algo muito interessante. Para uns é uma obrigação, para outros um privilégio ou uma bênção. Para uns é muito importante a diversão (e quem não o faz "não sabe aproveitar a vida") e para outros os estudos vêm primeiro. Claro que depende muito da pessoa, do quão extrovertido ou introvertido é, de quais são as suas paixões, mas equilíbrio é a palavra-chave.

Sempre fui daquelas pessoas que adora estudar. Dizerem-me "mas não estás a aproveitar nada" para mim não faz sentido porque isto é aquilo que eu gosto e é aquilo que quero aproveitar. Sempre tive uma ideia definida do que queria seguir MAS quando me candidatei [para a Licenciatura] mudei de ideias (por factores que aqui não interessam muito, mas cada um tem as suas razões). No entanto, não é sobre isto que vos venho falar hoje.

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Toda a nossa vida escolar está mais ou menos definida. Até ao 9º ano está tudo na escolinha, sem terem de se preocupar com escolher nada (eu só tive de escolher entre Educação Tecnológica ou Educação Visual, acho que no 9º ano) e no 10º pedem-nos para escolhermos um caminho que pode (ou não) definir o resto do nosso percurso. Complicado, não é? Ainda assim, já está um pouco enraizado na nossa sociedade que quando se termina o 9º se vai para o 10º e não há "desistências" (até porque muitas das pessoas ainda não têm sequer os 18 anos então têm de prosseguir os estudos). Lá escolhemos a nossa área e o curso que nos vai acompanhar nos próximos, normalmente, 3 anos. Tudo calmo, tudo pacífico. Os anos decorrem sem grande stress de escolhas ou decisões. Mas, chegando ao 11º/12º, as cabeças dos adolescentes começam a dar nós a tentar descobrir o que raio querem fazer do resto das suas vidas.

Fazemos testes psicotécnicos, fazemos exames com notas alteradas pela pressão, vamos a feiras de cursos como a Futurália, falamos com pais, professores, colegas, amigos mais velhos, pesquisamos na Internet. À partida já temos uma área definida tendo em conta o curso que escolhemos no 10º ano, mas isso não quer dizer nada. Do 10º ao 12º muita coisa muda. Vontades, ideias, paixões. Começamos a ter uma melhor percepção das coisas e a pensar "será que ir para esta Licenciatura me abrirá mais hipóteses de emprego ou é melhor escolher outra área?". Por vezes, chegam até a mudar de curso ainda no decorrer do Secundário. Até ao 9º ano ninguém tinha preocupações sobre o que fazer da vida (excepto quando a tia nos perguntava o que queríamos ser quando formos grandes) e no 12º surge uma questão que pode (e vai) mudar muita coisa.

Pelo sim, pelo não, chegamos a preencher as 6 opções (no caso de concorrermos pelo Concurso Nacional de Acesso), ou pelo menos 2 ou 3, para que possamos ter acesso a mais cursos, caso não entremos na primeira opção. Enchem-nos os ouvidos de promessas de que serão os melhores anos da nossa vida, de que a praxe assusta ou então é muito boa, de que vamos fazer amigos para a vida. Aproveita as noites académicas! Vai às praxes! Estuda muito! Faz ERASMUS! Faz isto! Faz aquilo! Malta, 3 anos passam a correr. Nem dá tempo para pestanejarem. 

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Não posso dizer que os meus 3 anos de Licenciatura foram horríveis e uma porcaria. Não foram. E, se são caloiros, não pensem que estou aqui a queixar-me. Os meus anos de Licenciatura foram diferentes. Cresci. Aprendi novas coisas. Apaixonei-me e interessei-me por assuntos novos que não estavam nos meus planos. Mas também sofri um bocadinho. Chorei imenso. Gritei com tudo e com todos. Andei exausta e a querer arrancar cabelos a alguns professores. Reclamei (IMENSO). Mas cheguei ao fim. E aqui começa o meu problema.

Do 1º ao 12º ano temos um caminho traçado: estudar. Quando acabamos esse período, muita gente segue os estudos, seja para Licenciaturas, Mestrados Integrados ou CTesP. E acabada a Licenciatura? É um buraco negro. É aquela fase para a qual ninguém nos prepara. Faz sentido seguirmos os estudos? Vamos já trabalhar? Na minha área, por exemplo, é complicado fazer portefólio enquanto estudamos. Então como entramos numa empresa sem termos trabalho sem ser académico para mostrar?

Chegada a esta altura, é normal sentirmo-nos perdidos. Sei o que quero fazer, mesmo que haja quem diga que não consigo ou não devo. Por um lado, querer seguir um mestrado dá-nos mais tempo para nos podermos preparar para o que aí vem, para podermos pesquisar mais. Mas se 3 anos não é nada, 2 ainda são menos. No entanto, vários mestrados já têm integração em ambiente profissional (aka estágios). A minha Licenciatura não tem e acho que isso acaba por dificultar um pouco esta saída da Licenciatura. É como se os estudos fossem um bebé e de repente o arrancassem dos nossos braços e ficamos pais desamparados, sem o nosso bem precioso. É preciso manter a calma para não entrar em parafuso.

E vocês? Qual o ponto em que estão?


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O tema destes dois meses do ACMA é Futuro. Eu decidi dar-vos esta minha perspectiva mais pessoal sobre o futuro do ensino e o nosso percurso escolar. Todas as publicações do projecto serão divulgadas no nosso Facebook, como sempre, e na nossa revista que sairá em Novembro (já leram a primeira edição?). Qualquer coisinha é só mandarem um mail para acma.cultura@gmail.com. Lá vos espero!

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